Em 2022, o Museu XYZ avançou em sua experimentação sobre novas formas de ocupar, produzir e compartilhar arte em ambientes virtuais com a criação do Distrito XYZ. Concebido como um espaço coletivo no metaverso, o Distrito ampliou a proposta do museu para além de uma programação expositiva centralizada, constituindo uma vizinhança de artistas, coletivos e projetos que passaram a desenvolver suas próprias galerias, experiências e narrativas. A iniciativa foi um desdobramento do processo de construção do Museu XYZ, no qual tecnologias emergentes, práticas artísticas e questões sociais foram sendo articuladas à medida que o próprio projeto se constituía.

A residência de 2022 nasceu, assim, como uma experiência de ocupação compartilhada e de curadoria descentralizada. Mais do que transferir para o ambiente digital o modelo tradicional de exposição, interessava experimentar o metaverso como território de encontro, colaboração e aprendizagem: um espaço no qual diferentes agentes pudessem construir, testar tecnologias, compartilhar conhecimentos e participar da própria configuração do Distrito. Essa perspectiva dialogava diretamente com a cocriação como princípio do Museu XYZ, entendida como processo capaz de aproximar comunidades, diferentes especialidades e tecnologias, valorizando tanto os resultados quanto as relações construídas durante o percurso. Os artistas e projetos apresentados na residência materializaram essa diversidade de aproximações entre arte digital, memória, cultura popular, inclusão e Web3.

A residência pode ser compreendida, portanto, como um dos primeiros exercícios do Museu XYZ de pensar o museu não apenas como lugar de exibição, mas como infraestrutura cultural compartilhada — um território em construção no qual ocupar também significava criar relações, produzir conhecimento e imaginar coletivamente outras possibilidades para a presença da arte brasileira nos mundos virtuais.

Artistas e projetos residentes

Rui de Oliveira, autor e ilustrador de literatura infantil. Formado em artes gráficas, estudou pintura no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, ilustração no Instituto Superior Húngaro de Artes Industriais e cinema no Pannónia Film Studio, em Budapeste. Recebeu quatro vezes o prêmio Jabuti de ilustração e, por Cartas Lunares, o prêmio de literatura infantojuvenil da Academia Brasileira de Letras. É definitivamente um dos maiores nomes da ilustração no Brasil.

Crypto/Serrão, iniciativa dos blocos de carnaval Seu Vizinho e O Pior Bloco do Mundo para premiar artistas de periferia e promover inclusão digital. O projeto, que foi aprovado no Fundo Municipal de Belo Horizonte em 2021, vai auxiliar os artistas a criar NFTs de suas obras, digitalizá-las e reuni-las em exposição virtual, onde ficarão disponíveis para venda. 

fraDAO.near, organização autônoma descentralizada (DAO) formada por mais de 90 artistas, com a missão de fortalecer o ecossistema da Web3, protegendo as artistas anciãs da vulnerabilidade social, tecnológica e financeira, empoderando-as através de oficinas, mentorias, assistência em marketing e digitalização de obras.

CryptoSamba NFT Art, uma DAO para homenagear o legado da velha guarda e criar oportunidades para os novos artistas do samba. Todo o lucro gerado nas vendas das NFTs será compartilhado com a artista homenageada, a artista ilustradora e o Fundo de Financiamento de Novos Artistas.

Choro.xyz | Choro Digital, projeto de pesquisa multiplataforma e colaborativo em ações de acervo e memória, desenvolvido por Ana Cunha, no Mestrado Profissional em Mídias Criativas Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO | UFRJ). 

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